quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Abrindo a escotilha

[Andrômeda]
Por anos você teve sua oportunidade e não quis nem ao menos me ouvir
Trancada em um taque com paredes de aço
metros de água sobre minha cabeça
Nem ao menos uma chance de ser ouvida
Hoje a fraca luz brilhou com mais força
a escotilha foi aberta por tempo suficiente
Senti medo de deixar tocar minha pele
hoje começo minha jornada de volta

Aura, não te condeno.
Chegou a hora de darmos as mãos e nos tornarmos uma novamente
O simbolo de uma ponderação, a combinação que nos levará ao destino que sonhamos
Aura, as coisas mudaram, precisamos estar preparadas
Nunca vamos alçar voo acorrentadas ao passado

Hoje eu vi a luz, e sei que amanhã vou sentir seu calor me tocar
Deixar pra trás essas barreiras artificiais
Esse tanque de ódio em que me prendeu
Tentando nos proteger você os imitou
Tirou mais uma vez minha voz e nós tornou numa marionete de cristal

Já estive como você caída, hoje posso oferecer minha mão
Vamos caminhar juntas como um dia sei que desejou
Eros, Aura, Lórien, Shade e Andromeda como uma
O conselho que sempre deveria ter existo

Aura, nossos sonhos podem ser prédios em chamas
Gritos, dor e urgência
As cores vibrando na escuridão
Fazendo do terror o mais belo quadro
mas em nossa liberdade podemos construir um mundo diferente
O nosso mundo, a nossa história.
Eles podem nos ferir, mas também podem nos curar
Podem nos odiar e amar
Entender e ignorar

[Shade]
Este é um risco que vale a pena
As estruturas não são rígidas como pensei
Os papeis não são claros como disseram
Para crescer, para melhorar, precisamos interagir

[Lórien]
O curso da vida, requer o erro
O sacrifício é sempre recompensado com novas sensações

[Eros]
Eu preciso sair, preciso me encontrar
Não posso ser o monstro onde desconta sua raiva
Eu preciso sair, preciso de espaço para me compreender
Minha voz não pode ser calada, mas aceito uma troca

[Aura]
Olho por olho, dente por dente
Essa mascara não esconde mais todo o ódio
Muito agressiva eles dizem
Não sabem como tratamos as coisas por aqui

[Andromeda]
Podemos ser uma e ainda sim sermos todas








quarta-feira, 18 de julho de 2018

Suicídio

Hoje morri.


Eu olhei pelo vão do prédio e vi longe abaixo o chão.
Um abismo que parecia me chamar,  lúmina com promessas de dar fim a dor.
Meu coração acelerou, vi minha vida ser resumida.
Percebi estar mais próxima de desistir do que de vencer.
Tive que me decidir, eu não mereço estar aqui.

Mas então quem merece?
Um habilidoso nato, alguém dedicado, paciente e que sabe que esforço recompensa.
Alguém com qualidades que não tenho.
Alguém que quer ser melhor todos os dias.

Então me decidi, não devo ocupar este espaço mas sei quem deve.

Eu me matei.

Meu último desejo, o de ceder espaço para um novo eu.
Aquele capaz de realizar seus sonhos.
Hoje suicidei,
Hoje ela morreu e me deu seu lugar.

terça-feira, 27 de março de 2018

Fuga

Tudo uma mentira, momentos de empatia fabricados quimicamente, uma risada que soa falsa.
Aquela porta, a lua, a rua, a brisa, tudo um cenário, uma mentira envolta em resina momentaneamente preservada em uma mente perecível.
Nada disso é real, nada disso é meu, tudo uma fantasia distorcida.
Panico, pavor, fascínio, desejo.

Eu não sei mais quem sou, porque isso não é meu, isso não sou eu.

Me sinto perdida, distante da realidade, medo, desejo, ajuda, medo, desejo.
Quero me lançar na noite fria, vagar e sumir
medo ajuda, desejo, ajuda, medo, ajuda, medo, medo, medo, medo.

Preciso ficar só, não consigo pensar. Sinto o terror na espreita, eu desejo o pavor, eu quero que aconteça, não que eu não mereça, mereço, não mereço.


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

eu e o mundo

 Quanto mais entro em contato com quem sou menos consigo comunicar o que sinto, talvez a noção que tinha do que são essas sensações fosse algum cliché produzido em massa, uma individualidade vendida em larga escala.
Me sinto presa, essa sociedade me drena aos poucos e fica difícil desvincular minha faltá de fé desse consumismo. Sendo bem direta, até a luta contra este sistema virou apenas mais um commoditie.

Meu pensamento flui de forma não linear, gostaria de reproduzir essas imagens geradas por sensações fortes e conjecturas extrapoladas, infelizmente só tenho acesso a palavra escrita, e essa, infelizmente não atende a demanda do que gostaria de transmitir, me sinto menos hoje do que já fui, mesmo sabendo que sou o melhor que poderia ser.

Talvez seja essa noção do meu lugar do esquema do universo que tenha ficado mais precisa.

Estou me perdendo tentando entender essas conexões e a complexidade das relações.


domingo, 14 de janeiro de 2018

Não é vida o suficiente. Não é morte o suficiente.

O gosto do álcool empurrando o lítio pra dentro, sensação que me lembra o toque frio do vidro que me separa da realidade. Aquela necessidade novamente, a urgência em me sentir viva, a violência, medo e dor são os primeiros que busco. Paro um momento pra me questionar o por quê, me sinto mal, culpada por ceder ao impulso de me ferir, testar se ainda sai uma lagrima junto com o sangue. "Uma unha" só uma, eu barganho, que mal pode haver?
Só uma, e outra, e mais dois copos de vodka, um cigarro, outra unha, um corte, outro copo, um antidepressivo velho, mais um, outro corte, outra unha, e no fim a pergunta

Porque ainda estou aqui?

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

More and more changes

É surpreendente como cada passo meu foge mais ao que eu havia imaginado de meu destino, com 24 anos completos eu agora sou diferente do que era aos 19 quando ingressei na minha primeira graduação, ou dos 15 quando comecei a escrever aqui. Sinto vergonha por tantas passagens, mas aqui elas se tornam o exemplo de como me aperfeiçoo a cada dia.

A dor, a angustia é uma constante, cada passo que dou rumo ao fim da minha existência compreendo como ela faz parte de mim, cada frustração, confiança mal direcionada e tropeço permanecem como uma cicatriz, uma prova de que venci batalhas e de que hoje sou melhor que ontem, e espero que, pior que amanhã.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

.

Insuportável a sensação de minha pele revestindo meu corpo.
O peso da existência esmagando minha alma.
Suja e covarde.
O quanto dessa dor sou eu tentando justificar meus fracassos?
Desespero pelo contato,
Não afeto, contato.
Eu nasci pra servir, pra sorrir sempre que requisitada
Um totem de expectativas alheias
Destinada a me entregar a qualquer um que me jogue atenção
Sedenta não de amor ou de um toque de carinho, mas da atenção, de desejo vazio.
Meu coração clama por violência.
Sonhos, tempestades de cores e angustias.
E em meus passos só o desejo por me sentir viva novamente
Ódio, ódio que sinto de ser quem sou,
A vida é uma mentira que conto toda noite antes de chorar
Eu queria fazer esse vazio sumir, queria me fazer entender,
Eu morri muito antes de perceber que tinha nascido,
Existência vazava de meu corpo a cada toque, a cada soco, beijo, chute, abraço, grito e silencio.

Acostumei a me esconder em fantasias, sonhando durante o dia, um mundo que reviva cada pedaço deixei nos outros.


Meu suicídio diário, minha prisão eterna.






Aguar as Plantas

Preciso aguar as plantas, tenho muitas plantas, as vezes penso que seria melhor só cortar todas elas pela raiz, matar tudo, manter uma ou du...